Quando eu era criança passava as tardes na casa de uma prima que tinha muitos LPs internacionais. Até que ela botou para tocar “Please Mr. Postman” e “Only Yesterday”, canções no topo das paradas em 1975. Minha paixão foi instantânea!


O LP era “HORIZON”, meu preferido até hoje, e talvez o melhor registro vocal de Karen Carpenter. Isso para não falar das canções maravilhosamente bem arranjadas por Richard Carpenter e de suas composições. Karen arrebatou meu coração com a sua voz grave, doce e até descontraída. Naquele momento passei a ouvir tudo que eles gravavam e a cantar tudo como ela.

Em 04 de fevereiro de 1983, meu mundo caiu. Morria “A Voz” dos Carpenters e eu perdia minha estrela mais brilhante. Eu esparramava os tão preciosos discos na cama e me jogava sobre eles em um sentimento profundo. Mas o tamanho desta profundidade eu iria conhecer em 2016, no lançamento deste “Carpenters Avenue”.


Esse é o meu primeiro trabalho somente como intérprete, e foi muito difícil!
A escolha do repertório foi uma tortura! Só 14 faixas? Como fã convicta, talvez tenha pecado um pouco ao optar por canções não tão “Lado A”, como “Love me for What I am”, “Sometimes” e “Eventide”. Mas a vontade de cantar essas músicas era muito mais forte que o pensamento comercial. Afinal, este CD é um presente para mim também!
O projeto começou em 2010, junto com Clemente Magalhães, produzi as duas primeiras faixas: “Superstar” e “A song for You”.
Um dia recebi o telefonema de Los Angeles do produtor musical Rodrigo Rios. Nestas nada coincidências da vida, ele tinha ouvido algumas gravações minhas e se colocou à disposição para produzirmos o que eu quisesse em L.A.

Com duas canções prontas tendo um resultado que me agradava bastante, não achei que seria legal produzir todas as faixas nos Estados Unidos. Queria justamente a mistura musical que podíamos fazer. Convidei o pianista, arranjador e compositor Marco Brito para produzir as faixas gravadas no Brasil e a “costurar” comigo essa sonoridade Norte Sul-americana.
Assim, começamos o processo em 2014 e dividimos o repertório em:


BRASIL:
“We’ve Only Just Begun”
“Please Mr. Postman”
“Only Yesterday”
“Eventide”
“Calling Occupants of Interplanetary Craft”
“Rainy Days and Mondays”


EUA:
“Solitaire”
“(They long to be) Close to You”
“For All We Know”
“l Can’t Smile Without You”
“Sometimes”
“Love me for What I am”

Terminadas as sessões no Brasil, segui para Los Angeles em outubro e gravamos as bases no lendário “Capitol Studios”!
Uma das razões que me levou a gravar nos Estados Unidos foi poder convidar Dionne Warwick para participar do projeto. Karen a tinha como grande amiga, e a canção escolhida para esse dueto foi “Close to You”, uma das mais conhecidas da dupla.


Era uma alegria olhar para a sala e ver músicos tão incríveis gravando comigo: Larry Goldings (arranjador de James Taylor e responsável pelos nossos arranjos), Leland Sklar, Brandon Fields, Cheche Allara…
Bases prontas, fomos para o estúdio de Monica Mancini e Cregg Field para captação de voz e mixagens. Monica, ao ouvir as passagens vocais, se disse muito surpresa com o projeto e com a região de voz, que Karen e eu dividimos. Por terem convivido e pelo talento de Monica, o Rodrigo Rios teve a ideia de trazer a filha de Henry Mancini para o álbum. A canção “Sometimes” (Henry Mancini/Felice Mancini) foi gravada pelos Carpenters em 1971 e Monica topou na hora, começando ali um dueto.


No almoço de despedida de Los Angeles, Monica contou que havia recebido um e-mail de Sally (cantora que registrava vozes nas demos de Henry), exatamente com a faixa original da canção que gravamos juntas. Foi a mesma faixa enviada aos irmãos Carpenters na época da escolha de “Sometimes” para entrar no disco de 1971 e, pasmem, no mesmo exato tom! Além da generosa entrega do piano original e inédito de Henry Mancini para inserirmos neste CD.


Você pode imaginar isso? Fiz um dueto com Monica Mancini (sem que isso fosse premeditado) de uma música gravada pelos Carpenters, com letra da sua irmã gêmea (Felice Mancini), musicada pelo maior compositor de trilhas de cinema de Hollywood e, como introdução, um piano inédito do próprio!
Foi uma empreitada sem economias de orçamento, deslocamento, tempo e dedicação para executar uma homenagem digna aos meus ídolos.


Agora, é hora de Carpenters Avenue seguir o caminho por si só. Eu sou uma coadjuvante desta Avenida, mas “Carpenters Avenue é o meu próprio caminho contado em todas as pedras!
Bem vindo a essa nova volta nas estradas musicais, iniciada na época circular das trilhas dos vinis, daqueles que ousaram, emocionaram e deixaram saudades: THE CARPENTERS


Isabella Taviani

 

 

 

Release Carpenters Avenue
Release Carpenters Avenue
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